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Das mãos (fazer o tempo)
Era final de abril de 2022, Beatriz havia chegado mais cedo que eu no trabalho, entrou na minha sala e deixou uma sacola de papelão, sacola de um restaurante favorito dela. Quando abri, para minha surpresa, tinha um pombo feito de crochê. Eu já sabia que Beatriz fazia crochê, em uma de nossas conversas, mostrou-me seu antigo negócio, era uma espécie de brechó e ateliê (Bia Brechó e Atelier), onde vendia roupas e bonecos de crochê (amigurumi) que ela mesma fazia. Quando começ
Pensar Rizoma
25 de set.3 min de leitura


Entre o absurdo e o algoritmo: desejo, acaso e criação de mundos
Quando aquilo que sustentava a vida deixa de funcionar Certo dia, em algum momento da vida, alguma coisa deixa de funcionar. Não necessariamente quebra. Não some. Não padece. Às vezes, continua exatamente no mesmo lugar de antes. A casa continua ali, sendo a mesma. O trabalho, puxado, continua sendo o mesmo trabalho puxado. As pessoas continuam ali. A rotina se desenrola conforme anteriormente. Você desperta na sua cama de sempre. Toma seu café. Sai de casa. Trabalha. Volta.
Pensar Rizoma
24 de set.11 min de leitura


O esgotamento como condição existencial contemporânea
Abordar o esgotamento contemporâneo é pensar para além de um simples estado psicológico individual, e muito menos reduzi-lo a uma rotina excessiva de trabalho. Trata-se, antes, de uma condição existencial produzida por uma forma histórica específica de organizar a vida, o tempo, o desejo e a liberdade. Essa condição é descrita por Byung-Chul Han em Sociedade do cansaço, onde já não há a coação de um poder externo explícito, mas a captura do sujeito por um imperativo interno
Pensar Rizoma
16 de set.3 min de leitura


Burnout, brownout e a crise do sentido
O despertador soa. O sol toca a janela do quarto, e a luz atravessa os pequenos furos, escapando por onde a cortina já não consegue conter o dia. É, mais uma vez, outro dia. Os olhos despertam entreabertos, tortuosos, ainda sob o cansaço da noite, cujos sonhos, por vezes, sequer deixam vestígios na memória. Em outros momentos, o corpo desperta dilacerado, incapaz de repousar em paz, como se a rotina atravessasse cada fibra muscular, cada centímetro da alma, e ali instalasse u
Pensar Rizoma
14 de set.4 min de leitura
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